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domingo, 29 de março de 2015

Semana Santa: acompanhando a Paixão de Cristo




A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação feita em oração e ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.

As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras.

Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.

Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário.

Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.

Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.

O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram espiritualmente o percurso de Jesus carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando à Paixão de Cristo.


Dados históricos da devoção

A tradição afirma que a Virgem Santíssima costumava visitar diariamente os locais da Paixão de Cristo.

A Via Dolorosa de Jerusalém foi reverentemente sinalizada desde os primeiros tempos e foi uma meta dos piedosos peregrinos desde os dias do imperador Constantino.

São Jerônimo fala das multidões de peregrinos de todos os países que costumavam visitar os lugares santos e percorriam piedosamente a Via da Paixão de Cristo.

O desejo de reproduzir os lugares sagrados em outras terras, a fim de satisfazer a devoção daqueles que estavam impedidos de fazer a verdadeira peregrinação, apareceu muito cedo.

No século V, São Petrônio, bispo de Bolonha erigiu no mosteiro de São Estévão (Santo Stefano em italiano) um conjunto de capelas com as estações.

O mosteiro ficou familiarmente conhecido como “Hierusalem”.

Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve forte expansão na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII).

O romeiro inglês William Wey que visitou a Terra Santa em 1458, em 1462 descreveu a maneira usual para seguir as pegadas de Cristo em Sua jornada de dores redentores.


As 14 Estações

A Via Sacra se tornou uma das mais populares devoções católicas.

O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.

O número de estações, passos ou etapas, da dolorosa procissão do Bom Jesus, nosso Redentor, foi definido paulatinamente chegando à forma atual, de quatorze estações, ou passos, no século XVI.

As 14 estações são as seguintes: (CLIQUE PARA VER)



1ª Estação: Jesus é condenado à morte


2ª Estação: Jesus carrega a cruz às costas


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez


4ª Estação: Jesus encontra a sua Mãe


5ª Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus


6ª Estação: A Verônica limpa o rosto de Jesus


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez


8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


9ª Estação: Terceira queda de Jesus


10ª Estação: Jesus é despojado de suas vestes


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz


12ª Estação: Jesus morre na cruz


13ª Estação: Jesus morto nos braços de sua Mãe


14ª Estação: Jesus é enterrado


Em cada estação é feita uma meditação sobre o passo e o costume é rezar também um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Padre.

O percurso da Via Sacra não deve ter interrupções. Mas é permitido assistir a uma Missa, confessar e comungar em meio ao piedoso exercício.



A indulgência plenária

Não existe uma devoção mais ricamente dotada de indulgências do que a Via Sacra.

As indulgências estão ligadas à cruz posta sobre as imagens que devem ser canonicamente erigidas.

Condições para ganhar a indulgência

Concede-se indulgência plenária a quem pratique o exercício da Via Sacra. Para que este se possa realizar, requerem-se quatorze cruzes postas em série (com alguma imagem ou inscrição, se possível) e devidamente bentas. O cristão deve percorrer essas cruzes, meditando a Paixão e a Morte do Senhor (não é necessário que siga as cenas das quatorze clássicas estações; pode utilizar algum livro de meditação). Caso o exercício da Via Sacra se faça na igreja, com grande afluência de fiéis, de modo a impossibilitar a locomoção de todos, basta que o dirigente do sagrado exercício se locomova de estação a estação.

Quem não possa realizar a Via Sacra nas condições acima, lucra indulgência plenária lendo e meditando a Paixão do Senhor pelo espaço de meia-hora ao menos.

(cfr. d. Estevão Bettencourt, Catálogo das Indulgências)

Ver também: O que é uma Indulgência, e as condições para ganhar a Indulgência Plenária.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Davi, Salomão e seus reinados:
existências confirmadas arqueologicamente

Davi, marfim alemão do século XII. Cloisters Museum, NYC
Davi, marfim alemão do século XII. Cloisters Museum, NYC.



Com frequência ouve-se dizer que a Bíblia e os Evangelhos, seus acontecimentos e personagens são fruto da fantasia. Ou simples construções alegóricas ou mitológicas em que os antigos teriam condensado suas experiências.

Chega-se a dizer até que Nosso Senhor Jesus Cristo como é apresentado nos Evangelhos não existiu. Teria sido no máximo um homem cuja figura teria sido elaborada por comunidades populares de base oprimidas pelo imperialismo romano.

Segundo essa visualização, os livros sagrados não são obviamente sagrados, mas meras coletâneas de fábulas.

No entanto, tudo isso não passa de alegação antirreligiosa. Além do valor intrínseco do Antigo e do Novo Testamento, são inúmeros os dados históricos e científicos que falam em favor da fidelidade dos Livros Sagrados à História.

Em nosso blog estamos continuamente publicando as mais recentes descobertas que chegam até nós por meio de fontes científicas respeitáveis.

Mais recentemente, uma equipe de arqueólogos da Mississippi State University (MSU) trouxeram à luz um conjunto de seis selos de terracota encontrados numa pequena localidade de Israel, os quais provam a existência histórica dos reis Davi e Salomão.

Os achados desfazem as alegações – essas sim, quiméricas e sem fundamento – de que os dois reis não seriam senão figuras alegóricas, e que o reino deles não existiu, pelo menos no tempo e na região mencionados na Bíblia.

Sobre os dos reis profetas, lemos no Antigo Testamento:

I Samuel 16

13. Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. (...)

14. O Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e um espírito mau veio sobre ele, enviado pelo Senhor. (...)

Davi aplaca Saul, Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 — 1669). Städelsches Kunstinstitut und Städtische Galerie, Frankfurt am Main.
Davi aplaca Saul, Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 — 1669).
Städelsches Kunstinstitut und Städtische Galerie, Frankfurt am Main.
23. E sempre que o espírito mau de Deus acometia o rei, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava.

I Samuel 18

12. Saul temia Davi, porque o Senhor estava com o jovem, e tinha-se retirado dele. (...)

29. O rei sentiu com isso redobrar o seu medo. Durante todo o resto de sua vida ele detestou Davi.

I Reis 2

1. Aproximando-se o fim de Davi, deu ele ao seu filho Salomão as suas (últimas) instruções:

2. Eu me vou, disse ele, pelo caminho que segue toda a terra. Sê corajoso: porta-te como homem.

3. Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes,

4. e o Senhor cumprirá a promessa que me fez, isto é, que eu terei sempre um de meus descendentes no trono de Israel, se meus filhos guardarem seus caminhos e andarem diante dele com fidelidade, de todo o seu coração e de toda a sua alma. (...)

10. Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi.

11. Reinou quarenta anos sobre Israel: sete anos em Hebron e trinta e três em Jerusalém.

12. Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido.

Anúncio do achado. MSU Department.
Anúncio do achado. MSU Department.
Jimmy Hardin, professor auxiliar do Departamento de Antropologia e Culturas do Oriente Médio da MSU, confirmou que essas bulas, ou selos, de terracota eram usadas para lacrar a correspondência oficial, da mesma maneira como em séculos posteriores se usaram selos de cera.

Codiretor do Projeto Regional Hesi, a partir de 2011 o professor Hardin escavou durante o verão o sítio arqueológico de Khirbet Summeily, no leste de Gaza, sul de Israel.

Os achados de Hardin foram publicados em dezembro de 2014 na Near Eastern Archaeology, uma publicação líder na matéria, onde cada artigo é objeto de sistemática crítica prévia, feita por entendidos na mesma matéria (peer review) e que deram a luz verde para a publicação.

“Os resultados preliminares ... sugerem que o reino já estava formado no século X a.C. Eles dão um apoio geral à veracidade histórica dos personagens Davi e Salomão como estão descritos nos textos bíblicos”, acrescentou Hardin.

“O fato é que esses selos mostram que essa região, periférica do reino, estava integrada num nível bem acima da mera subsistência. E que havia em andamento atividades políticas ou administrativas muito além de meras atividades rurais”.

O sítio arqueológico fica entre os reinos bíblicos de Judá e Filisteia.

Os selos foram testados pelo Center for Rock Magnetism da University of Minnesota da National Science Foundation. Os símbolos gravados foram examinados e datados por Christopher Rollston, epigrafista do Departamento de Línguas e Civilizações Clássicas e do Oriente Próximo da Universidade George Washington.

Jeff Blakely, da University of Wisconsin-Madison e co-diretor do Projeto Regional Hesi, estudou a região durante 40 anos e explicou como a origem dos selos que provam a existência dos dois reis profetas foi definida.

Aspecto dos trabalhos do Projeto Regional Hesi no sítio arqueológico de Khirbet Summeily, Israel.
Aspecto dos trabalhos do Projeto Regional Hesi no sítio arqueológico de Khirbet Summeily, Israel.
A saber: Davi (1040 a.C. – 970 a.C.), autor dos Salmos, e Salomão (1009 – 922 a.C.), seu filho, terceiro rei de Israel, que governou por volta de quarenta anos e ordenou a construção do Templo de Jerusalém.

Os dois profetizaram a futura vinda do Salvador e são antepassados genealógicos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, o povo O aclamava dizendo: “Hosana ao filho de Davi!”

“E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus! (São Mateus 21, 9)

“(...) com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi!” (São Mateus 21, 15)
O Prof. Blakely explicou que “o estilo dos selos, ou bulas, o tipo de vasos encontrados no mesmo local, os tipos de escaravelhos egípcios, o estilo dos amuletos egípcios e a estratigrafia do lugar, todos sugerem como data o século X a.C.

“Acresce que a datação arqueo-geomagnetica, fundada na intensidade e na direção dos campos magnéticos no passado, também sugere que as camadas em que foram achadas as bulas devem ser do século X a.C. Ulteriores análises poderão modificar a datação em apenas algumas décadas, mas não séculos”, completou.

“Nós fomos lentamente nos dando conta de que os homens não cultivavam a região, mas pastoreavam sob a proteção de seu governo. O achado dos selos apoia fortemente a ideia de que Khirbet Summeily foi uma instalação real” nos tempos dos reis Davi e Salomão. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Descoberta traz à tona o trágico fim de Herodes,
o rei que mandou matar os Santos Inocentes

Herodes ordena o massacre dos Santos Inocentes. Matteo di Giovanni, Galleria Nazionale di Capodimonte.
Herodes ordena o massacre dos Santos Inocentes.
Matteo di Giovanni, Galleria Nazionale di Capodimonte.



O rei Herodes, o Grande (73 a.C. aprox. — primeiros anos da era cristã), passou para a História como um das figuras mais relevantes da vida judaica na transição do Antigo para o Novo Testamento.

Deve-se a ele a restauração do Segundo Templo de Jerusalém e muitas obras arquitetônicas de grande fôlego em Israel.

Porém, ele foi responsável por crimes espantosos, entre os quais o massacre dos santos inocentes em Belém. Através desse mosticínio ele tentou matar o Menino Jesus, o Messias prometido, que os Reis Magos foram adorar, segundo o Evangelho de São Mateus (Mt 2,13-18).

13. um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.

14. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.

15. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1).

16. Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos.

17. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:

18. Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!

Herodium: a entrada descoberta. Mas a localização do túmulo ainda é mistério.
Herodium: a entrada descoberta. Mas a localização do túmulo ainda é mistério.
O péssimo Herodes construiu para si próprio um sofisticado túmulo com caracteres de fortaleza e condutos secretos ainda não plenamente revelados.

Ele era odiado pelos judeus pois além de crudelíssimo era gentio.

Mais precisamente pertencia ao povo dos idumeus ou edomitas, isto é, descendentes de Esaú, o homem símbolo dos maus, que haviam sido parcialmente judaizados.

Herodes temia que o povo se revoltasse contra ele quando estava ainda vivo, ou que destruísse sua última moradia depois de morto.

Escavado na pedra no alto de uma elevação cônica, o local é conhecido como Herodium, a 12 quilômetros de Jerusalém e a sudeste de Belém.

O acatado historiador Flávio Josefo (in Antiguidades Judaicas, 17.6.4) diz que Herodes morreu depois de um eclipse lunar.

Josefo descreveu a doença final de Herodes – às vezes chamada “Mal de Herodes” – que era insuportável.

Alguns peritos médicos hodiernos concluíram que o rei padecia de doença renal crônica complicada por gangrena de Fournier.

Os estudiosos modernos concordam que ele sofreu durante toda a sua vida de depressão e paranoia.

Sintomas similares ficaram registrados por ocasião da morte de seu neto Agripa I, em 44 a.C., de quem se relata que os vermes eram visíveis porque a putrefação atingiu-o em vida.

Segundo o historiador Josefo, Herodes estava obcecado pela probabilidade de ninguém lamentar sua morte.

Herodium: no alto de um morro cônico uma fortaleza-túmulo
Herodium: no alto de um morro cônico uma fortaleza-túmulo
Ele, então, convocou um grande grupo de homens ilustres em Jericó, e deu ordem pública de assassiná-los no momento da sua morte para patentear a dor que ele ansiava ver no povo pela sua perda.

Felizmente a ordem não foi cumprida.

O Herodium sobreviveu nas mãos de seus descendentes, entre os quais Herodes Antipas (20 a.C. – depois de 39 d.C.), filho de Herodes o Grande.

Antipas martirizou a São João Batista e teve o deplorável desempenho na condenação de Nosso Senhor narrado nos Evangelhos.

Contudo, na última revolta contra os romanos, os judeus acabaram se atrincheirando em Herodium e os romanos o destruíram no ano 71 d.C.

Mas os restos de Herodes, ou seu sarcófago, ainda não foram localizados.

Arqueólogos israelenses e estrangeiros não cessam hoje de investigar e escavar, fazendo curiosas e impressionantes descobertas na estranha montanha que foi comparada a um ameaçador artefato no deserto.

Herodium: o acesso inconcluso ao túmulo secreto
Herodium: o acesso inconcluso ao túmulo secreto
Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém descobriu uma entrada monumental que devia conduzir ao topo do Herodium, informou o jornal britânico “The Telegraph”

O corredor de cerca de 20 metros de extensão e 6 metros de altura está formado por um complexo sistema de arcos em três níveis.

Três arqueólogos israelenses concluíram que Herodes – talvez temendo uma vingança popular pelo massacre das criancinhas de Belém – concebeu o corredor como parte da fortaleza que perpetuaria sua memória e ocultaria seu corpo após a morte. Um como que monumento fúnebre real numa escala épica.

As escavações apontaram que o corredor não chegou a ser concluído:

“Parece que a interrupção aconteceu quando Herodes percebeu que sua morte se aproximava e resolveu converter todo o topo do morro num complexo em sua memória”.

Os Santos inocentes junto com São João Evangelista. Igreja de San Tiago, Plaza de España
Os Santos inocentes junto com São João Evangelista.
Igreja de San Tiago, Plaza de España
O corredor foi fechado e enchido de entulho durante os trabalhos da colina de Herodium.

Problemas políticos israelo-palestinos hoje dificultam os trabalhos no local, mas os objetos recuperados estão em exposição e poderão voltar a ele, dependendo de futuras negociações.

Espanta pensar no fim de pesadelo desse rei, perseguido pela própria consciência, consumido pela doença somática e psíquica, rodeado pelo desprezo popular pelo fato de ter martirizado os Santos Inocentes. Uma prefigura de seu destino eterno.

Do outro lado, os Santos Inocentes reinam por todo o sempre no Céu junto a Jesus Cristo, que também nasceu em Belém, envolvidos de glória e gozosa bem-aventurança.

Por maiores que tenham sido os cuidados materiais de Herodes, o Grande, para preservar seu corpo perecível, nada disso lhe garantiu a felicidade eterna e tal vez a afastou para sempre.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Achado o local do julgamento de Jesus, o pretório de Pilatos?

Neste complexo hoje soterrado poderia ter acontecido o julgamento de Jesus, segundo os arqueólogos  (Foto: Oded Antman, Ministério israelense de Turismo).
Neste complexo hoje soterrado poderia ter acontecido o julgamento de Jesus,
segundo os arqueólogos  (Foto: Oded Antman, Ministério israelense de Turismo).



Há 15 anos começaram obras para expandir o museu da Torre de David, em Jerusalém.

A Torre de David é a cidadela defensiva da cidade de Jerusalém próxima da Porta de Jaffa, na parte antiga da cidade.

Apesar de seu nome, a atual Torre é de origem cruzada e otomana, de séculos bem posteriores, portanto.

Ela foi erigida sobre antigas fortificações das eras dos reis hasmóneos e herodianos, dos Cruzados e de árabes-maometanos. No período da ocupação turca e britânica, a Torre foi usada como prisão.

Ela e as fortificações predecessoras foram construídas no local onde no tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo estava o Palácio de Herodes, o segundo maior prédio da cidade após o Templo.

No início da era cristã, os romanos haviam instalado suas autoridades em pelo menos uma parte do enorme palácio.

E sabia-se que ali estava o pretório de Pilatos e as instalações onde se realizou o mais famoso e injusto julgamento da História: o do Divino Redentor.

A Torre de David de construção cruzada e otomana posterior está sobre os fundamentos do Palácio de Herodes
A Torre de David de construção cruzada e otomana posterior
está sobre os fundamentos do Palácio de Herodes
A Torre de David hoje pode ser visitada, mas se desconhecia quase tudo sobre o que havia embaixo.

As obras de ampliação do museu levaram a fazer escavações que tardaram 15 anos.

Elas deviam ser feitas cuidadosamente, pois se suspeitava que cavando poder-se-ia chegar às ruínas do Palácio onde aconteceu uma dos mais transcendentais episódios da Redenção.

Muitos peregrinos hoje rezam o Via Crucis, ou Via Dolorosa, a partir do local onde se acredita que o cônsul romano Pôncio Pilatos presidiu o julgamento e ditou a mais injusta sentença da História contra Nosso Senhor.

O Via Crucis continua em sucessivos passos até o alto do Gólgota e o Santo Sepulcro.

No período bizantino a Via Dolorosa iniciava-se no local do atual museu. No século XIII partia da Fortaleza Antonia, antigo quartel romano.

Porém, religiosos, historiadores e arqueólogos discutiam o ponto exato, pois o Evangelho fala do “pretório” de Pilatos.

Plano de Jerusalém no tempo de Jesus. O palácio de Herodes aparece à esquerda junto à Porta de Jaffa. Mapa de uma enciclopédia de 1911
Plano de Jerusalém no tempo de Jesus.
O palácio de Herodes aparece à esquerda junto à Porta de Jaffa.
Mapa de uma enciclopédia de 1911
“Pretório” é um termo romano que poderia ser interpretado como tenda, acampamento, ou também uma instalação dentro de um prédio, no caso, o palácio do rei Herodes.

Os romanos construíram também residências imponentes para seus governadores. Foi o caso do pretório de Colônia, Alemanha, que teve uma área construída de mais de 3 hectares.

Não foi esse o caso do pretório de Pilatos.

Para o arqueólogo Shimon Gibson, professor na Universidade de North Carolina em Charlotte, EUA, já não se duvida muito que o julgamento foi feito em algum local do complexo do palácio de Herodes, explicou reportagem do “The Washington Post”.

São João menciona um assoalho de pedra e a existência de ambientes diversos de onde Pilatos entrava e saía, detalhes que batem com o local hoje vasculhado.
“Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata”. (João; 19,13)
O arqueólogo Gibson diz , “obviamente não há uma inscrição dizendo que o julgamento aconteceu aqui. Mas os dados arqueológicos, históricos e os relatos evangélicos, todos conduzem até este local, e se encaixam uns nos outros”.

Segundo o “International Business Times”, a equipe de arqueólogos que tem o apoio do governo israelense, acha que foi encontrado verdadeiramente o local da condenação de Jesus.

Segundo eles, o julgamento deve ter acontecido naquela parte do Palácio de Herodes perto da Torre de David e que é o mesmo apontado pelos arqueólogos mencionados pelo “The Washington Post”.

Modelo do Palácio de Herodes mostra a Primeira Muralha e,  da esquerda para a direita, suas três torres Fasael, Hípico e Mariane
Modelo do Palácio de Herodes mostra a Primeira Muralha e
suas três torres: Fasael, Hípico e Mariane (da esquerda para a direita)
Raspando cuidadosamente com pás as camadas de ruínas e entulho da velha prisão otomana, os arqueólogos desvendaram restos de piscinas e fundamentos de muros, juntamente com um sistema de escoamento das águas, que parecem ter pertencido ao palácio do lascivo Herodes, o Grande.

Junto com essa descoberta, no mês de dezembro os arqueólogos confirmaram a descoberta de um grande túnel que introduzia em Herodium, uma fortaleza construída pelo mesmo rei 12 quilômetros ao sul de Jerusalém.

O jornal britânico “The Independent” também ecoou o achado.

O Museu da Torre de David está preparando um percurso para os peregrinos poderem visitar o local. Mas se deve aguardar ainda, enquanto o local é desentulhado.

Análoga matéria foi publicada pelo “The Daily Mail” de Londres, que também menciona como prova a análise cuidadosa das pedras que recobriam o chão do palácio.

Um outro tipo de dificuldades provém do fato de que a partir do século XIX algumas representações artísticas religiosas imaginam o tremendo acontecimento evangélico num local aberto.

O julgamento mais iníquo da História teria se dado na parte do Palácio de Herodes ocupado pelo governador romano
O julgamento mais iníquo da História teria se dado
na parte do Palácio de Herodes ocupado pelo governador romano.
Nesta representação espanhola, o juízo acontece dentro de um palácio.
Por isso, alguns imaginaram o ‘Pretório de Pilatos’ como sendo não num salão ou numa dependência de um palácio, mas um pátio.

A dificuldade, na realidade, é mais de estilo artístico do que de objetividade histórica.

A polêmica está aberta entre os cientistas, mas é quase certo que aquele foi o local.

O rei Herodes Antipas (20 a.C. – morto depois de 39 d.C.) era o rei no tempo da Paixão.

Ele foi um dos filhos de Herodes, o Grande (73 a.C. — Jericó, 4 d.C.), que mandou massacrar os inocentes de Belém no intuito de matar o Messias de que falavam os Reis Magos.

A linhagem de Herodes possuía outros palácios além do imenso prédio junto ao Templo. Em parte por mania de grandeza do primeiro rei dessa estirpe.

Mas, em grande parte eles mantinham outras fortalezas apalaciadas porque sabiam que eram odiados pelos judeus.

Pois eles não pertenciam ao mesmo povo, praticavam cultos pagãos, cometiam crimes hediondos e eram mantidos no poder por um conchavo com o exército romano.

Herodium visava ser um refúgio em caso de levante popular.

Não se conhece ao certo o ano de nascimento de Pôncio Pilatos, mas sim que foi Prefeito da Judeia entre 26 e 36 d.C. Segundo narra Eusébio de Cesareia em sua História Eclesiástica caiu em desgraça junto ao imperador romano Calígula e suicidou-se por volta do ano 37 d.C.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O milagre do sorriso de Nossa Senhora
no rosto de Santa Bernadette



Se aproximando a festa de Nossa Senhora de Lourdes (11 de fevereiro) publicamos o comovedor relato de um milagre de Santa Bernadette, tirado do blog "Lourdes e suas aparições" (O milagre do sorriso de Nossa Senhora no rosto de Santa Bernadette):

Um dia, um sacerdote se aproximou de nós diante de Grota e nos mostrou um velho no meio da multidão.

Ele estava piedosamente ajoelhado e rezava com os braços em cruz.

“Interrogai-o, disse o sacerdote, nós o chamamos de ‘o miraculado do sorriso da Virgem”.

Nós nos aproximamos do peregrino, e ele com o melhor charme do mundo, nos contou sua história.

Ele era o conde de Bruissard, e efetivamente ele vira o sorriso da Virgem, da mesma maneira que nós vemos o reflexo do sol num lago de águas puras e tranquilas.

Ele o viu refletido no rosto transfigurado de Santa Bernadette.

Eis o que ele nos contou:

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O “computador de Arquimedes”:
lição para a ufania da modernidade

Computador de Arquimedes réplica científica do século XX
Computador de Arquimedes: réplica científica do século XX

No ano de 1900, um mergulhador resgatou do fundo do Mediterrâneo um aparelho estranho que se encontrava entre muitas obras de arte gregas dos séculos I e II antes de Cristo.

O achado ocorreu na Ilha de Anticitera, na Grécia, tendo sido feito por um simples coletor de esponjas marítimas de nome Elias Stadiatos. Ele desceu sem equipamento algum, como era costume, e voltou dizendo que tinha encontrado corpos desfeitos, cabeças e braços arrancados, cavalos mutilados.

Julgando-o tonto devido à falta de oxigênio, ou até bêbado, o capitã Dimitrios Kondos desceu até o local. E voltou dizendo que Elias não só não estava errado, mas que havia muito mais coisas: lançadores de discos, efebos de mármore, estátuas de bronze e ânforas de cerâmica.

Certamente era um tesouro transportado outrora por um navio cujos restos desfeitos ainda podiam ser identificados.

Tratava-se na verdade de um dos mais importantes naufrágios da História. Era um navio que levava um tesouro com joias e esculturas que hoje estão nos museus.

Após estudarem as moedas que faziam parte do tesouro, os arqueólogos calcularam que o navio afundou entre os anos 85 e 60 a. C.

Ele foi um dos maiores da época e não se sabe bem por que naufragou. Talvez devido a uma tempestade, ou por sobrecarga de riquezas.

Reconhecida a riquíssima carga, constatou-se que era o botim de guerra que o cônsul romano Lúcio Cornélio Sila havia amealhado dos atenienses na Primeira Guerra Mitridática (88 a.C. – 84 a.C.).

Naquela guerra, que opôs Roma ao famoso Mitrídates VI, rei do Ponto, Sila invadiu a Grécia e saqueou Atenas, que era aliada de Mitrídates.

O botim provavelmente devia ser exibido num desfile triunfal do imperador Júlio César, mas o mar resolveu ficar com ele.

As obras de arte, ânforas e outros objetos resgatados foram para o Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

Uma peça, entretanto, era sumamente intrigante.

Computador de Arquimedes: a peça principal foi a primeira achada
Computador de Arquimedes: a peça principal foi a primeira achada
Havia sido catalogada como “item 15.087” e, contrariamente ao resto do tesouro, não se sabia ao certo para que servia. Mas devia ser muito valiosa para estar entre tantos artefatos seletos.

O diretor do Museu de Atenas, Valerios Stais, analisou cuidadosamente aquilo que parecia ser uma máquina. Pois se tratava de uma peça de bronze calcificado e corroído pela água que exibia incrustados restos de engrenagens.

Novas expedições juntaram fragmentos desse objeto: 82 no total. Ele deve ter tido 30 centímetros de altura por 15 de largura, e estava composto de várias rodas dentadas superpostas, onde estavam gravados 3.000 caracteres. O todo ficava protegido por uma caixa de madeira.

Acreditava-se que os níveis de precisão e miniaturização do engenho só haviam aparecido cerca de 1.400 anos depois, como nos relógios astronômicos das catedrais, capazes de reproduzir o movimento dos planetas, do Sol e da Lua, e predizer suas fases.

Os investigadores discutiram durante anos o que seria aquela peça. Só concordaram em que era um aparelho pequeno, leve e portátil.

À procura de uma pista, os arqueólogos recorreram às bibliotecas. E identificaram alusões inquietantes, que acabaram sendo esclarecedoras.

Encontraram que Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), o maior matemático e inventor da Antiguidade, escrevera um manual com o título: Sobre a construção de máquinas de astronomia.

Também o filósofo e político Marco Túlio Cícero (106 a.C. – 43 a.C.), em seu tratado De republica, descreve engenhos que podiam calcular os eclipses em função de outros movimentos dos astros.

Ele também menciona que no ano 212 a. C., o cônsul romano Marco Claudio Marcelo (268 a.C. – 208 a.C.) conquistou Siracusa (Sicília). E dali trouxe um objeto fascinante feito por Arquimedes.

Documentário do History Channel:




Tudo apontava na direção do “item 15.087”, que os cientistas começaram a chamar de “mecanismo de Anticitera”, local da descoberta, e parecia ter relação com o aparelho roubado em Siracusa. Ele talvez fosse uma versão 2.0 mais aperfeiçoada do invento de Arquimedes.

De 1951 até 1983, o físico inglês Derek de Solla Price tirou muitas radiografias das peças enferrujadas e reconstituiu o mecanismo. Segundo ele, o modelo mostrava a posição do Sol e da Lua no zodíaco e apontava as datas para as colheitas.

A descoberta de Solla Price foi ouvida com desconfiança: parecia algo moderno demais, até desprestigiante para a ciência da computação moderna.

Mas Michael Wright, especialista em engenharia mecânica do Museu da Ciência de Londres, obteve tomografias irrefutáveis com tecnologia 3D. O mecanismo reproduzia com exatidão os movimentos do céu, as fases lunares, e apontava as festividades religiosas.

Wright construiu uma nova réplica usando as mesmas ferramentas dos gregos, e demonstrou que se tratava de um computador mecânico.

“Tu introduzes uma série de dados e ele te devolve outros relacionados”, explicou num documentário do History Channel.

Computador de Arquimedes (réplica): muitas de suas funcionalidades ainda não foram descobertas
Computador de Arquimedes (réplica): muitas de suas funcionalidades ainda não foram descobertas
Eis a surpresa: os antigos antes de Cristo já tinham concebido e construído o primeiro computador da História.

O consenso científico hodierno concorda em que o “mecanismo de Anticitera” ou “computador de Arquimedes” era um planetário portátil que era movido com uma manivela lateral e mostrava a posição presente e futura do Sol, da Lua e dos cinco planetas então conhecidos: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio.

Tinha detalhes extremamente refinados: a agulha da Lua acelerava e desacelerava ritmicamente, copiando a órbita real. Outra agulha lembrava ao usuário que este devia fazer retroceder um dia em cada 76 anos, o hiper-preciso calendário.

No início do III milênio o “computador de Arquimedes” ainda continha segredos a revelar.

Um consórcio de astrônomos e historiadores liderados pelo matemático inglês Tony Freeth lançou o Antikythera Mechanism Research Project.

Um fabricante de tomógrafos aceitou criar um com potência suficiente para penetrar em todos os níveis do equipamento enferrujado retirado do fundo do mar.

Não foi pouca coisa. Pois o singular tomógrafo pesa oito toneladas e foi levado em caminhão de Londres até Atenas.

O esforço foi bem compensado: o tomógrafo produziu uma série de imagens em alta resolução e em 3D. O mecanismo ainda conservava 27 engrenagens, talvez a metade dos originais, concentrados em sete centímetros.

“Foi como ver um mundo novo”, comenta Freeth no documentário The 2000 year-old computer (“O computador de dois mil anos”) documentário especial da BBC.

Com base nas tomografias e técnicas especiais para detectar antigos traços de pintura, Feeh identificou as letras gregas que a corrosão do mar havia apagado.

As letras formavam frases: “a cor é negra”, “a cor é vermelho- sangue”. Isso confirmava que o aparelho também predizia eclipses solares e lunares.

Documentário da BBC:



Freeth também verificou que uma espécie de relógio embutido anunciava a data dos jogos pan-helênicos, que incluíam gladiadores.

O relógio dava maior destaque aos Jogos Ístmicos, celebrados em Corinto. Os investigadores descobriram também que o calendário concordava com o da colônia grega de Siracusa. Então, a mão inspiradora ou inventora de Arquimedes tornou-se ainda mais patente.

Desde 2008, outra equipe, sustentada pela Universidade Puget Sound de Tacoma e pela Fundação Fulbright, e liderada pelos cientistas James Evans e Christián Carman, descobriu que a escala do zodíaco não estava dividida em partes iguais.

A agulha que representava o Sol demorava mais em algumas das zonas, acelerava e desacelerava acompanhando o ritmo da Lua.

As reconstituições tentam compreender como e para o que pode ter sido feito na Antiguidade um mecanismo que se acreditava exclusivo da Era Contemporânea
As reconstituições tentam compreender como e para o que
pode ter sido feito na Antiguidade
um mecanismo que se acreditava exclusivo da Era Contemporânea
Procura-se saber o uso que lhe era dado.

“O mais provável é que fosse uma espécie de computador. Se queres saber quando será o próximo eclipse, bastava girar a manivela até sair a predição. Se queres saber onde estava Marte no dia em que nasceste, basta girar o calendário até o dia de teu nascimento e ficarás sabendo”, disse Christián ao jornal “Clarin” de Buenos Aires. 

Christián estudou as imagens gravadas na face posterior do mecanismo e descobriu os eclipses ordenados num ciclo que se repetia a cada 47 meses. Tratava-se só dos eclipses no hemisfério norte, o único que os gregos podiam observar.

Os cientistas queriam saber a data em que foi feito o “computador de Arquimedes”. Por sua parte, os epigrafistas, ou especialistas em inscrições antigas, dataram as inscrições entre o ano 250 a.C. e o 50 a.C., um espectro de tempo assaz grande que incluía dez eclipses.

Com base nos estudos de Alexander Jones, que estabeleceram a velocidade lunar de alguns eclipses, Christián descartou nove dos dez possíveis. Só uma hipótese ficou de pé: o primeiro eclipse do mecanismo aconteceu no dia 25 de junho de 205 a. C., às 15.35, hora local de Atenas.

Portanto, o calendário de Anticitera começou a funcionar em agosto ou setembro do ano 216 antes de Cristo, quando Arquimedes ainda estava vivo.

Apesar da precisão deste dado, ainda há outras variáveis para serem decifradas, sugeridas por engrenagens cuja finalidade ainda não foi identificada.

Christián observou o fascínio que produz um instrumento que passou 2.000 anos no fundo do mar.

De fato, o reaparecimento do engenho aponta que muitas coisas de que a modernidade se ufana foram na realidade inventadas há milênios, sem dinheiro nem maquinarias complicadas, mas apenas contemplando com sabedoria natural a ordem posta por Deus no Universo criado.

Documentário do governo grego:



domingo, 28 de dezembro de 2014

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), pintor francês.

Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014